Maria da Apresentação :: Ovos Moles de Aveiro

A Empresa

A Empresa


A placa erguida sobre a parede em azulejo, à porta do nº37 da Rua D. Jorge Lencastre, desvenda-lhes a origem enquanto a D.ª Silvina – 83 anos, dá continuidade ao negócio de família.

Das muitas empresas que se dedicam à confecção dos Ovos moles de Aveiro, a casa Maria da Apresentação da Cruz, Herdeiros, a funcionar desde 1882 é a com mais tradição e onde se confeccionam, há mais de cem anos, os mais genuínos e célebres. Reconhecidos como uma marca emblemática na tradição gastronómica Portuguesa.

A actual proprietária, D.ª Silvina da Silva Raimundo ou D.ª Silvininha como é carinhosamente tratada prometeu à sogra, que haveria de continuar com o fabrico, seguindo religiosamente a receita original.

E é mesmo de religião que se trata, porque este, como a maior parte dos doces tradicionais, tem origem conventual. Reza a lenda que uma freira do Convento de Jesus, estando em jejum forçado porque foi castigada pela madre superiora por ter cometido o pecado da gula, resolveu desobedecer, dedicando-se à mistura de ovos com grandes quantidades de açúcar. Tendo sido apanhada em flagrante, escondeu, repentinamente, a mistura na massa das hóstias que estava sobre a mesa. No dia seguinte, julgou-se ter havido um milagre, porque apareceu na portaria um doce tão perfeito que só poderia ter sido enviado por Deus.

Lenda ou não, o certo é que a D.ª Silvininha aprendeu a receita com a sogra, Maria da Apresentação, que sucedera a uma tia, que por sua vez aprendeu com uma senhora que a trouxera do convento. A promessa foi cumprida. Silvina Raimundo fabrica os Ovos Moles como manda a tradição. Mantêm-se o tacho de cobre, as formas, o jeito de mexer, mantêm-se todo o processo manual, o rigor e a atenção: limpam-se as gemas de qualquer vestígio das claras e batem-se cuidadosamente, enquanto o açúcar e a água vão ao lume até atingir um ponto que as artesãs dos Ovos Moles não sabem definir, só fazer. Depois, unem-se as gemas ao açúcar e vai esta mistura rechear as hóstias em formas marinhas, deixando-se a descansar sobre a noite. No dia seguinte, cobrem-se com uma calda de açúcar fraquinha e deixa-se a secar. É então que vão por todo o país, chegam por vezes além fronteiras, levando consigo um sabor multissecular. Em Aveiro, é iguaria imprescindível em dias de Festa, é sagrado! Assim como parece ter sido sagrada a sua origem…

…”São seis barrilinhos d’ovos moles de Aveiro. É um doce muito ‘chic’, é uma delícia, até conhecido lá fora?”
Eça de Queiroz, na sua obra “Os Maias”